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Saiba gerenciar estes sete tipos de riscos financeiros


Com planejamento, os riscos financeiros podem ser provisionados e até mesmo controlados. Ao  desenvolver estratégias de mitigação, as empresas melhoram sua resiliência e estão mais preparadas para enfrentar as ameaças futuras. Neste texto, falamos sobre sete tipos mais comuns que podem afligir negócios de diferentes setores. 

Quais são os principais tipos de riscos financeiros?

Risco de tecnologia: as companhias precisam falar sobre isto?

Passo a passo para o gerenciamento de riscos

Conheça as principais certificações para gerenciamento de riscos

Conclusão

Quais são os principais tipos de riscos financeiros?

Riscos financeiros existem para todo e qualquer porte de companhia, em maior ou menor grau de exposição. Em algum momento, a empresa está diante de uma incerteza que pode levá-la a desvalorizar seus ativos ou até mesmo mesmo perder dinheiro.

Com gerenciamento, é possível fazer o mapeamento dos riscos e dimensioná-los diante das suas particularidades. Abaixo listamos aqueles que merecem mais atenção:

Risco de crédito 

O risco de crédito está relacionado com a possibilidade dos clientes não pagarem por algo que consumiram ou atestaram como sua responsabilidade financeira. 

Um exemplo desse risco é a venda a prazo não ser paga e, assim, a empresa sofrer perdas por inadimplência. O fluxo de caixa fica prejudicado e, dependendo do porte da companhia, pode ocasionar um rombo.

Risco de liquidez

Para uma empresa, o risco de liquidez está ligado à não disponibilidade de recursos para cobrir obrigações imediatas. Por isso, prazos de pagamentos de fornecedores e de recebimento de clientes devem ser alinhados, caso contrário, pode não haver dinheiro para quitar as dívidas.

Em grandes companhias, principalmente as de capital aberto,  é importante dimensionar ativos ou valores mobiliários como parte da liquidez, pois a prioridade é pagar proprietários e investidores, mesmo que seja convertendo este patrimônio.

Risco operacional 

O risco operacional representa as perdas geradas por eventos internos da rotina da empresa, como falhas de funcionários, de sistemas, processos e equipamentos. 

Para evitá-lo, algumas iniciativas devem ser tomadas, como escolha por sistemas de qualidade, criação de processos claros e eficazes, além da seleção de equipe qualificada.

Risco cambial

Esse é um dos mais comuns às instituições que realizam negociações com moedas diferentes. A variação do preço de câmbio pode gerar impacto nos custos e, consequentemente, prejuízo para a empresa. 

Imagine uma companhia que importa insumos e realiza suas transações a prazo. No momento da compra, a moeda de troca está a R$4,50, mas, no momento de pagamento, o valor passa a ser R$5,00. 

Uma forma de blindagem ao risco cambial é o planejamento estratégico e o hedge, um instrumento que visa a proteção diante das flutuações da moeda e qualquer outra oscilação de preço.

Risco de taxa de juros

Condicionada por fatores externos, a taxa de juros está relacionada às decisões governamentais. As quedas repentinas de juros podem impactar diretamente o negócio, dependendo do produto, mas também influenciam o valor das ações e o próprio comportamento do consumidor.

Risco de financiamento

Neste caso, o credor, ao emprestar o dinheiro, analisa o histórico do solicitante a fim de saber qual o risco de não pagamento. Caso esse histórico mostre altas chances de não cumprimento do acordo, as taxas de financiamento se tornam altas, como justificativa ao risco dessa transação. Empresas utilizam financiamentos em diversas fases de seu negócio, incluindo posições estratégicas para expansão das atividades e pagamentos dos funcionários.

Risco legal e serviços regulatórios

Em qualquer transação de bens ou prestação de serviços há acordos entre as partes, sejam por meio de contratos simples ou bem estruturados. 

Entre as diversas negociações há o risco de não comprometimento do acordo, principalmente em casos sem respaldo jurídico. Esse é o risco legal, que pode oferecer brechas para a não concretização do acordo.

Contratos ligados a instituições regulamentadas e cláusulas e, claro, a presença e participação de especialistas na oficialização do contrato podem proteger ambas as partes.

Risco de tecnologia pode ser considerado financeiro?

Tecnologia e digitalização dos negócios foram citados no relatório de riscos globais de 2021 do Fórum Econômico Mundial. Ataques cibernéticos são ameaças nas quais podem ser vazados dados sigilosos, comprometendo clientes, empregados e a imagem da empresa.

Segurança e privacidade são valores que podem custar aos cofres de uma companhia, portanto o risco de tecnologia também deve ser dimensionado pelos times financeiros. Uma das estratégias é o levantamento e a atualização dos sistemas de proteção dos dados, qualificação da própria equipe e novos sistemas de TI. 

Passo a passo para o gerenciamento de riscos 

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador das transações de ativos financeiros no Brasil, em sua Deliberação 604/2009, enfatiza a importância da análise de sensibilidade de riscos, em uma visão quantitativa e qualitativa, para quem busca ter profissionalismo em seus demonstrativos contábeis.

O mesmo documento cita a apresentação do value at risk, conhecido como interdependência de fatores de risco, e a necessidade destes números serem revisados anualmente, com a descrição dos riscos que porventura tiverem acontecido e como a companhia reagiu diante da situação

O gerenciamento de riscos traz transparência aos investidores de como a empresa está preparada para situações adversas, sendo esse um item integrante das boas práticas em governança financeira.

Não há regras rígidas para o gerenciamento de risco, porque cada organização tem as suas particularidades, com riscos tipificados e com exposições diferentes.

Entretanto, é possível sugerir algumas etapas nas quais as informações devem ser coletadas e tratadas. Lembre-se de salvá-las em um lugar único, seguro e confiável.

  1. Identificação de cada um dos riscos e qual é o seu tipo (crédito, liquidez, operacional, cambial, taxa de juros, financiamento e legal);
  2. Avaliação do risco e controle: quando o risco pode acontecer e como minimizar as chances de ocorrência;
  3. Determinação da tolerância da companhia diante de cada risco, inclusive usando escalas para medir as chances deste risco acontecer;
  4. Formulação de estratégias para gerenciar cada um dos riscos com detalhes de responsabilidades;
  5. Atualização periódica deste levantamento com informações da companhia e monitoramento dos riscos.

Ao desenvolver seu gerenciamento de risco, tenha compromisso com suas definições. Disciplina, atenção e controle são indispensáveis para que a aplicabilidade do documento resulte efetivamente em mais proteção, seja ao capital e/ou patrimônio da companhia. 

Após especificar a quais riscos a companhia está exposta, é preciso definir práticas para atenuar a possibilidade de ocorrência, bem como se posicionar em caso de crise. Seguem algumas estratégias diante de alguns tipos de riscos financeiros que mencionamos anteriormente:

Gerenciando riscos de câmbio

  • Fechamentos de  contratos com datas predeterminadas para a liquidação e valores fixados previamente;
  • Manutenção de uma conta em moeda estrangeira com recursos transferidos em momentos mais oportunos, poupando custos de transferências em taxas mais caras;
  • Não há adivinhação da taxa de câmbio. Este risco é externo e você não tem controle sobre ele, portanto é impossível ter 100% de certeza em um calendário específico;
  • Contratação de um profissional especialista capaz de planejar, desenvolver, executar e monitorar uma estratégia de hedge adaptada aos requisitos de pagamento internacional e personalizada ao apetite de risco da empresa.

Gerenciando riscos nas operações

  • Definição de cargos com perfis bem definidos e escolhas de profissionais com aptidão e produtividade;
  • Elaboração prévia de orçamento com acompanhamento rigoroso para que a empresa não gaste excessivamente ou desnecessariamente;
  • Acompanhamento intenso das regras, boas práticas, normas de segurança do trabalho e legislação, a fim de evitar qualquer atividade indevida e ilegal nas dependências da companhia.

Gerenciando riscos de liquidez

  • Planejamento orçamentário preciso, com demonstrações claras de monitoramento e controle rígido;
  • Fluxo de caixa detalhado  com técnicas de previsão e se possível acompanhamento automatizado;
  • Monitoramento dos devedores da companhia sempre buscando negociação, sem deixar as dívidas caírem no esquecimento;
  • Abandono dos maus pagadores a fim de preservar a saúde financeira da companhia;
  • Forte relacionamento com bancos e outras instituições bancárias.

Conheça as principais certificações para gerenciamento de riscos

A função de gerenciar riscos é assumida por profissionais dos times financeiros, e a cada dia exige mais técnica, precisão e conhecimento. Diante do reconhecimento do mercado, hoje existem as certificações que atestam as habilidades na gestão dos riscos.

A Financial Risk Manager (FRM®) é uma certificação internacionalmente reconhecida, conduzida pela Global Association of Risk Professionals (GARP). Após a aprovação em um teste, os profissionais são reconhecidos em antecipar e responder a problemas críticos, sendo um importante diferencial na carreira. Para conseguir o título FRM, é necessário no mínimo dois anos de atuação comprovada na gestão de risco.

A Project Risk Management Professional (PMI-RMP) é outra certificação, oferecida pelo Project Management Institute (PMI),  que envolve o atestado de capacitação do profissional especialista em mitigação e gerenciamento de riscos, com habilidades próprias para proteção do capital da companhia.

Conclusão

Gestores que dimensionam e controlam os riscos financeiros tomam decisões mais estratégicas e impulsionam suas empresas a crescimentos sustentáveis. Muitas vezes, o gerenciamento de riscos estimula ideias inovadoras que podem sinalizar uma nova fase ao negócio.

Para gerenciar adequadamente os riscos,  vale a pena capitalizar recursos tecnológicos e de automação capazes de eliminar o retrabalho, ter controle das informações e oferecer insights. Desta maneira, as horas ganhas sem as tarefas repetitivas podem ser reinvestidas em atividades mais complexas e produtivas.



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