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ESG e gestão financeira: como adotar as métricas de sustentabilidade


As informações relacionadas ao ESG em uma companhia são critérios de análise para a decisão do mercado financeiro e público em geral. Não há uma obrigatoriedade no Brasil, mas a cada dia essas informações se tornam uma vantagem competitiva, principalmente para empresas de capital aberto.

Em 2021, há linhas de crédito, fundos de investimento e índices na bolsa de valores relacionados aos fatores ambientais, sociais e de governança. 

Continue a leitura para compreender como a pauta do ESG está alinhada às finanças e tenha insights de como iniciar esse processo em sua empresa. 

Qual é a origem do ESG?

A sigla ESG corresponde aos termos em inglês, Environmental, Social and Corporate, que, em português, significa Ambiental, Social e Governança.

O termo ESG surgiu em 2004, quando Kofi Annan, na época secretário-geral das Nações Unidas (ONU), estimulou mais de 50 líderes de grandes empresas a buscarem alternativas para o desenvolvimento de um mercado mais justo e inclusivo.

Essa iniciativa resultou na publicação do relatório “Who Cares Wins” (“Quem se importa ganha”), produzido pelo Pacto Global em conjunto com o Banco Mundial. Ele mostra que integrar os critérios ESG no mercado de capitais proporciona melhores resultados.

Em paralelo, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP/FI) produziu o Relatório Freshfield”, em 2009, no qual reforça a relevância do assunto na avaliação financeira. E, com base nesse relatório, em 2019, há a publicação dos Princípios para o Investimento Responsável (PRI), que tem como objetivo compreender o impacto do investimento sobre temas ambientais, sociais e de governança.

A pauta ESG também ganhou evidência com o Business Roundtable, evento que aconteceu em agosto de 2019, no qual mais de 180 CEOs de grandes empresas se comprometeram a liderar em benefício de todos os stakeholders.

Após 2020, com a pandemia mundial da Covid-19, as preocupações relacionadas ao meio ambiente, sociedade e governança se tornaram prioritárias entre gestores que querem se antecipar a possíveis crises e fortalecer o relacionamento com os investidores.

ESG (Environmental, Social and Corporate)
E Representa os critérios relacionados às questões ambientais, tais como emissão de gases e compensação de carbono, mudanças climáticas, biodiversidade, uso da água, poluição e gerenciamento de resíduos.
S Refere-se às questões sociais e preza pelo capital humano e justiça social. Fazem parte deste escopo as normas trabalhistas, direitos humanos, diversidade no quadro de funcionários e equidade salarial, as relações com a comunidade, privacidade e proteção de dados, saúde e segurança do trabalho.
G Está diretamente relacionado à gestão das instituições, considerando a ética e transparência, as estratégias de sustentabilidade, conformidade, a remuneração executiva, as políticas de anticorrupção, dentre outros.

Como medir, controlar e gerenciar os critérios ESG?

Não há uma uniformidade entre os critérios de implantação do ESG, pois existem particularidades de cada empresa. Mineradoras ou empresas de transporte, por exemplo, possuem desafios socioambientais bem diferentes de organizações de tecnologias ou do terceiro setor.

A Sustainability Accounting Standards Board (SASB), uma organização independente para práticas sustentáveis, disponibiliza, por exemplo, padrões de  77 setores diferentes para download

Se não há um padrão único para monitorar os critérios ESG nas instituições, é preciso que cada companhia reconheça entenda os diferentes impactos que causa na sociedade. Ainda assim, algumas premissas podem ser utilizadas para elaborar indicadores de desempenho em relação ao ESG:

  • Qualidade e acesso rápido aos dados em ESG 

Na matriz de materialidade dos relatórios de ESG há o enaltecimento da transparência e do acesso aos dados da companhia, independentemente do segmento ao qual ela pertença.

Em um momento de integração das soluções em nuvem, é preciso coletar, atualizar e redimensionar constantemente os dados que envolvem o ESG, em todas as categorias, como meio ambiente, capital humano, modelo de negócios, governança e outros.

A liderança deve motivar o time a se responsabilizar pelos seus registros. O nível de detalhamento e a qualidade desses dados determinam a confiabilidade das informações relacionadas ao ESG.

A utilização de um sistema único capaz de integrar e gerenciar as informações de maneira automatizada torna esse processo mais estruturado, ágil e confiável. Hoje, a proteção dos dados também é relevante para o ESG e é um ponto de atenção para investidores.

Conforme princípios e as orientações da SASB, os softwares ocupam posições de destaque nos padrões e estruturas de divulgação de ESG devido à possibilidade de salvar as informações, criar classificações, além de validar os dados. 

Com a publicação desses dados em relatórios periódicos, é possível organizar os indicadores de desempenho (KPIs) para acompanhar a performance do ESG, corrigindo possíveis gargalos e tendo controle dos gastos.

Por exemplo, a companhia brasileira Suzano atualiza uma landpage com mais de 430 indicadores em linha com a Global Reporting Initiative (GRI), os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as recomendações da Task Force on Climate-Related Financial Disclosure (TCFD). 

  • Transparência nas demonstrações financeiras e relatórios de sustentabilidade

Em setembro de 2020, cinco organizações, líderes de estrutura e definição de padrões, – CDP (Disclosure Insight Action), CDSB (Climate Disclosure Standards Board), GRI (Global Reporting Initiative), IIRC (International Integrated Reporting Council) e SASB (Sustainability Accountinng Standards Board) – apresentaram um novo sistema de relatórios corporativos que inclui tanto contabilidade financeira quanto divulgação de sustentabilidade.

O texto deixa claro que os investimentos em sustentabilidade estão diretamente envolvidos na geração de valor empresarial em longo prazo e, por isso, a comunicação em relação aos processos do ESG deve ser clara, minuciosa e constante.

A agenda sustentável impacta as receitas de uma empresa, seus custos operacionais, projeções e também as despesas de capital ou investimento em bens de capital (capex). Estes impactos podem afetar o fluxo de caixa da empresa e sua taxa de crescimento, o que refletirá no valuation

Empresas que seguem os critérios de ESG precisam realizar demonstrações financeiras detalhadas e públicas, reconhecendo que parte desse desempenho pode ser refletido nas contas financeiras e agregando valor aos objetivos em longo prazo.

  • Certificações, auditorias e regulamentações em sustentabilidade

A ISO é uma das organizações internacionais que reúne especialistas para desenvolver padrões internacionais relevantes para o mercado. Apesar de ainda não oferecerem certificações exclusivas de ESG, algumas de suas orientações funcionam para empresas que buscam o desenvolvimento sustentável.

A ISO14000 é uma certificação destinada a gerenciar as responsabilidades ambientais das empresas. Instituições que a adotaram conquistaram resultados como uso eficiente de recursos e redução de desperdício, além da confiança de seus stakeholders.

A ISO14097, norma relacionada às mudanças climáticas e às finanças, foi lançada recentemente. Para o líder do projeto da nova certificação, Massamba Thioye, “a chave para o sucesso nas finanças verdes está na transparência e na medição, que é o que esse padrão pretende facilitar”.

A IFRS Foundation deve se organizar para se tornar uma das possibilidades de regulamentação formal de ESG. No último ano, a instituição emitiu um documento de consulta pública (encerrado em 31 de dezembro de 2020) no qual discutiu sua contribuição com a emissão de normas de relatórios de sustentabilidade. 

Uma das sugestões na consulta foi a criação de um conselho, Sustainability Standards Board, seguindo os mesmos princípios e padrões do International Accounting Standards Board (IASB). O andamento desse projeto pode ser acompanhado aqui.

Além dessas referências, as empresas podem procurar consultorias de empresas que dão suporte para auditorias ESG e o possível escrutínio dos investidores.

Como o ESG contribui para a governança corporativa e as finanças verdes?

“Sem informações financeiras confiáveis​​, os mercados não podem precificar os riscos e oportunidades relacionados à crise climática e, assim, podem enfrentar uma transição difícil para uma economia de baixo carbono”.

Esse é um trecho do site da Task Force on Climate-Related Financial Disclosure, uma instituição com mais de 31 membros, incluindo todos os integrantes do G-20, com o apoio direto da Financial Stability Board (FSB).

A TCFD avalia os riscos relacionados à mudança climática e desenvolve recomendações para que os gestores financeiros das empresas aloquem melhor seus investimentos.

Especialistas da TCFD levantam dados sobre governança, estratégia, gestão de riscos e  outras métricas para que companhias possam tomar suas decisões financeiras e, com transparência, divulguem seus indicadores.

Existe atualmente uma iniciativa rumo às finanças verdes e ao ESG que envolve investidores, reguladores do mercado de capitais, bancos e instituições financeiras, além das lideranças corporativas, liderada pelo FMI. É um movimento global para reduzir as emissões de carbono que caminha lado a lado com a lucratividade a longo prazo.

De uma maneira mais prática, em Londres, mais da metade das companhias do índice FTSE 100 vinculou a remuneração dos executivos às metas ESG, inclusive como critério para os bônus anuais. 

Segundo reportagem do Financial Times, a opção do índice FTSE é um modo de envolver a liderança no alcance das metas e avaliar a resposta dos acionistas diante das práticas ESG na governança corporativa.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa declara que um projeto bem-sucedido de ESG se inicia por definições no que se refere à governança

O papel da liderança financeira  e a relevância do ESG para investidores

Nas organizações privadas, a liderança financeira assume o papel de mapear e gerenciar os riscos do negócio, o que inclui os fatores socioambientais. 

Conselhos podem ser articulados para dar andamento ao ESG e as áreas de compliance e controle financeiro têm papéis fundamentais para seguir a legislação, acompanhar a performance e apresentar os resultados.

Investidores que buscam o ESG procuram por companhias que apresentem resultados promissores, mas que também dimensionem os riscos socioambientais e trabalhem para mitigá-los.

Os investidores devem estar atentos às falsas promessas que rondam as questões socioambientais, pois algumas empresas promovem o greenwashing quando praticam o marketing verde, mas a conduta não corresponde às divulgações.  

Através das agências de rating, como a S&P Global Rating, é possível avaliar o nível de comprometimento com práticas sustentáveis e os potenciais riscos envolvidos nas atividades.

Os índices ESG também servem de referência aos investidores que desejam incorporar questões relacionadas à sustentabilidade em seu processo de investimento. 

Hoje, grandes empresas brasileiras, como Bradesco e Itaú, compõem, por exemplo, a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial e do índice Dow Jones de Sustentabilidade de Mercados Emergentes.

O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) foi criado em 2005 com a missão de apoiar os investidores a tomarem decisões de investimentos socialmente responsáveis, assim como incentivar o uso de melhores práticas de sustentabilidade.

Sendo o quarto índice de sustentabilidade do mundo, o ISE B3 funciona como um instrumento para análise comparativa de desempenho das empresas listadas na bolsa brasileira sob a ótica da gestão corporativa sustentável. 

O processo de seleção é feito anualmente e as companhias com as 200 ações mais líquidas negociadas na B3 são elegíveis a participar. Um dos pré-requisitos é a divulgação dos questionários preenchidos, garantindo a transparência das informações.

Considerações

O ESG é o centro de atenção para as companhias que buscam um plano de gerenciamento de riscos em relação aos fatores socioambientais, mas também é parte de uma estratégia em finanças, proporcionando melhores retornos em longo prazo e reputação positiva.

Na ausência de regulamentação nacional no Brasil, as normas internacionais em ESG são referências para as companhias. As instruções atendem uma demanda entre investidores e empresas em seus movimentos de transição para uma economia mais consciente. 

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