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O uso de dados nas decisões da área financeira


De acordo com a McKinsey, em seu artigo Finanças 2030: quatro imperativos para a próxima década, nos últimos dez anos, a área financeira reduziu os custos em quase 30% e gestores usaram 19% mais tempo em atividades de valor agregado.

De 2022 até 2030, o objetivo é alcançar níveis ainda mais altos de eficácia e, para isso, os executivos precisam mudar suas prioridades para minimizar erros, impulsionar a velocidade nos fluxos de trabalho e gerar maior precisão. E o uso de dados na área financeira é uma das principais alavancas desse desenvolvimento. A consultoria destaca quatro pontos de atenção para alcançar essa meta: 

  1. Estimular uma rede integrada de eficiência em todos os níveis da empresa;
  2. Potencializar o papel da área financeira no gerenciamento, controle e consolidação de dados e fluxo de informações;
  3. Fortalecer a tomada de decisão por meio da adoção de ferramentas e técnicas que auxiliem na visualização e interpretação de dados e análises avançadas;
  4. Reimaginar o modelo operacional financeiro com o objetivo de promover novas habilidades e capacidades.

Mas como o uso de dados acontece na prática e quais são os desafios? Para falar mais sobre isso, Goldwasser Neto, cofundador e CEO e do Accountfy, participou do bate-papo “O uso de dados na governança e nas decisões da área financeira” durante o CFO Summit, evento também patrocinado pela fintech.

Uso de dados na governança: uma importante decisão

“Na nossa visão, a gente percebe que primeiro existe uma distinção de três segmentos financeiros dentro da área financeira: tesouraria, controladoria e planejamento”, diz Goldwasser, para relacionar a proximidade de cada uma delas com o uso de dados. De uma maneira geral ,a tesouraria de grandes empresas normalmente já está acostumada a trabalhar com eles, usando estatística para produção de cálculo de derivativos, câmbio etc. 

Para o CEO, na área de controladoria o uso é muito pequeno, sobrando bastante espaço para melhorar e contribuir mais para o negócio, com algo parecido acontecendo na área de planning de pequenas e médias empresas. “Dentro das grandes ainda há recursos tecnológicos e ferramentas para análise de cenário, mas, isso não está acessível a todos da companhia. Além do mais, o tratamento estatístico de uma base de dados dificilmente chega a se transformar em informação estratégica, fundamental à tomada de decisão”, afirma.

Apesar da dificuldade de transformar dados em informações nesses dois segmentos, existe um grande espaço de crescimento, por meio da contribuição com indicadores associados a uma análise do comportamento operacional do negócio e conectados à área contábil.

Para Goldwasser, o principal obstáculo à utilização de dados é a própria inconsistência deles, advinda da falta de tratamento da base em sua origem, dificultando a criação da informação mais estratégica. Ele diz que existem dois desafios: organizar e perfilar esses dados, conectando os indicadores operacionais à realidade contábil da empresa; e a falta do entendimento estatístico para tratar o dado, impedindo que ele se transforme em um insight para a área financeira.

Métricas que o CFO deve observar 

Mas quais seriam as métricas e índices que o CFO deve observar? Para o CEO do Accountfy, vai depender de cada negócio. 

“Usar o NPS – Net Promoter Score – é muito bom, porque as empresas começam a perceber que a experiência do cliente começa desde o primeiro contato de venda e vai até quando este mesmo cliente deixa de consumir seu produto. E na área financeira existem vários pontos de contato, seja na hora de faturar, fazer uma cobrança e até um distrato. Então, é muito importante estar atento a esta jornada, mas reforço: para cada empresa existe uma realidade e um jeito de medir tudo isso”, afirma.

Um exemplo é o lifetime value, que aponta o tempo de vida útil do cliente e quanto ele gera de valor para a companhia, muito importante para a área financeira acompanhar, pois mede quanto custa trazer um cliente, quanto de dinheiro ele vai gastar e em quanto tempo.

Goldwasser afirma que, apesar de ser um indicador muito útil para diversas companhias, tais informações devem sempre estar conectadas à área financeira. O que levou a discussão sobre ESG e como ele deve ser encarado como uma métrica.

Goldwasser afirma que apesar de fundamental às empresas, elas precisam entender qual o papel delas na sociedade.  “É preciso haver um equilíbrio ou, ao menos, uma diferenciação da régua de cobrança para os diferentes portes de empresas. E cabe à área financeira avaliar qual é a régua correta a ser aplicada, pois não há como comparar os mesmos padrões de ESG de uma empresa que está começando com uma grande e mais capitalizada, pois isso vai restringir a capacidade da primeira em empreender.”

Ao final da palestra, Goldwasser foi questionado sobre o futuro da área financeira e se haveria risco de ela deixar de existir. “A atividade financeira e a contabilidade irão sempre existir. Eu acredito que as pessoas terão, cada vez mais, que se adaptar às novas tecnologias. Talvez o desafio maior seja a integração dos muitos softwares com o objetivo comum da empresa”, afirma. Ele finalizou dizendo que o profissional que irá se destacar é aquele que melhor entender o mercado e saber extrair as informações certas para o negócio.

Assista o bate-papo completo abaixo:



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