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DRE: 5 pontos importantes para ficar atento em tempos incertos


A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) deve evidenciar os impactos das mudanças nas empresas e todas as adaptações que foram necessárias durante o exercício relatado. 

Em 2020, o mundo foi surpreendido por uma pandemia que resultou na desestabilização da economia. A crise sanitária desdobra-se em uma alta inflacionária, retração do PIB e demais fatores que possivelmente refletirão no lucro de muitas empresas em 2021.

O atual momento também é marcado pela aceleração da transformação digital e a implantação de novos critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) que alteram a gestão e a rotina financeira de muitas organizações.

Os indicadores oriundos da DRE, margens líquida e EBITDA, contribuem para que a análise contábil ofereça insights sobre o desempenho das companhias, alertando os gestores financeiros para os ajustes de rota. 

 Continue a leitura deste material e entenda aspectos importantes da DRE e como eles podem ajudar em momentos repletos de mudanças e incertezas. 

1. Especifique as despesas

O primeiro passo é relembrar que custos e despesas diferem segundo a normativa brasileira que rege à contabilidade.

Enquanto custo é o gasto necessário para executar a principal atividade da empresa, as despesas, apesar de contribuírem com o funcionamento, não são essenciais para a manutenção do negócio.

O gerenciamento das despesas, no detalhe, traz oportunidades de redução de gastos. Em momentos de crise, ele fornece informações relevantes e precisas de como a empresa tem reagido diante do impacto econômico.

Normalmente, em contextos instáveis, despesas inesperadas devem ser descritas como extraordinárias, deixando claro seu caráter momentâneo. O detalhamento delas ainda pode ser feito via notas explicativas.

A empresa com controle de suas finanças apresenta uma análise apurada das despesas, pois reconhece que identificar cada gasto traz segurança do que é um investimento, ou ainda, do que é passageiro e poderá ser poupado em um cenário futuro.

2. Avalie a margem líquida

A  margem bruta fornece um panorama das finanças da empresa, pois ela está alinhada ao faturamento e a receita integral. Já a margem líquida desconta os gastos e tributos da organização, avaliando a lucratividade do negócio. 

Com a clareza das informações sobre despesas na DRE, inclusive das extraordinárias, há mais possibilidades de análises de lucro e de como o gestor pode melhorar os resultados.

As despesas não são o único fator avaliativo que contribuem para a busca de uma maior margem líquida. A rentabilidade está atrelada à receita. 

Por exemplo, para um lucro de R$1 milhão, uma empresa com R$20 milhões de receita precisa de um margem líquida de 5%, enquanto para uma receita de R$40 milhões basta uma margem de 2,5%.

Uma empresa com lucros expressivos está mais preparada para passar por cenários de instabilidade e possui chances de crescimento.

3. Opte pela margem EBITDA 

O EBITDA, Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, em português) é a métrica utilizada para mensurar o lucro líquido das empresas.

Este indicador é prioritário às empresas de capital aberto, visto com atenção pelos investidores que querem acompanhar o desempenho da organização. O cálculo do EBITDA é realizado por uma fórmula que combina aspectos da DRE e do Balanço Patrimonial.

Já a margem EBITDA é um indicador operacional de rentabilidade, responsável por comparar o EBITDA da empresa com sua receita líquida obtida no período. Se a distância entre os dois for muito grande, a margem será baixa e indica ineficiência dos processos.

Margem EBITDA = EBITDA / Receita Líquida

A margem EBITDA permite comparar empresas diferentes, com foco na sua geração de lucro. O indicador não é exigido de todas as companhias, mas ele oferece um potencial analítico e de aprimoramento na gestão contábil que reflete a maturidade financeira da organização.

4. Faça a análise horizontal e vertical

Existem dois métodos utilizados como avaliação da DRE: análise horizontal e análise vertical. 

Análise horizontal Análise vertical
Avalia o aumento ou diminuição das receitas, custos e despesas ao longo do tempo. Compara cada conta de custos, despesas ou receita ao faturamento bruto.
Sempre compara pelo menos dois períodos da empresa. Análise de um mesmo período.
Seu objetivo é evidenciar o crescimento ou redução de uma conta em diferentes momentos. Seu objetivo é quantificar o percentual que cada conta representa do Faturamento Bruto.
AH = [(Valor atual do item/Valor do item no período anterior) – 1] x 100 AV = Conta / Receita Bruta (ou Receita Líquida) x 100

Juntas, as análises horizontal e vertical explicam variações nos gastos, na rentabilidade, entres outros pontos e fornecem informações estratégicas que possibilitam uma melhor avaliação dos resultados e auxiliam no processo de tomada de decisão.

A análise isolada de cada uma delas pode ser insuficiente para o gestor financeiro, que acaba tendo uma visão limitada do cenário. Por isso, uma boa interpretação desses indicadores pode identificar tendências e prever cenários. 

5. Repense a frequência da sua DRE

De acordo com a lei nº 6.404/76 e a lei n° 11.638/07, todas as empresas brasileiras, com exceção das classificadas como Micro Empreendedor Individual (MEI), são obrigadas a elaborar a DRE após o encerramento do ano-calendário, período compreendido de janeiro a dezembro.

Contudo, nada impede que esse material seja elaborado semestralmente, a cada bimestre ou até mesmo mensal. Análises realizadas em períodos menores podem ajudar a solucionar problemas com mais agilidade e identificar oportunidades.

Conclusão

O Conselho Regional de Contabilidade São Paulo reforça que “administradores, CFOs, controllers e demais profissionais da área financeira precisarão, mais que nunca, unir-se e dar suporte às áreas contábeis na elaboração de demonstrações financeiras fidedignas e confiáveis perante tantas incertezas”.

A DRE não é apenas um retrato dos números da empresa. Todas as informações que constam nela contribuem para uma análise minuciosa do desempenho corporativo, que sob o olhar de um gestor financeiro, leva a compreensão dos pontos de melhoria e das prioridades para se alcançar uma melhor performance, independentemente do cenário.

Órgãos reguladores, seja de companhias de capital aberto ou não, exigem informações contábeis cada vez mais detalhadas e completas, que contemplem vários anos. Daí a importância das áreas financeiras atentarem-se às novas regras, utilizarem os indicadores e a tecnologia.



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